quinta-feira, 16 de agosto de 2012

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO


A natureza investigativa das crianças

Todos nós, se tivermos a sensibilidade e a atenção necessárias, nos encantamos ao observar o espírito investigativo das crianças. Seu encantamento diante do mundo e das coisas não se limita ao extraordinário, mas acontece com os simples fenômenos do cotidiano. As crianças expressam vivacidade nas formas de "enxergar" o mundo. A admiração, o espanto e o encantamento dão lugar a pergunta e é por isso que Jostein Gaarder em seu livro O mundo de Sofia diz que há algo de comum entre os filósofos e as crianças: "os filósofos e as crianças têm, portanto, uma importante característica comum. Podemos dizer que um filósofo permanece a sua vida toda tão receptivo e sensível às coisas quanto um bebê. (...) Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência" (1995, p.30-31).

Talvez um dos fatores mais decisivos que possibilita a aproximação entre filosofia e crianças é o fato de que estas vêem na filosofia não uma profissão e sim um modo de vida. Lipman aprofunda essa temática dizendo que há uma diferença entre aplicar filosofia e fazer filosofia. Para Lipmam "o paradigma de fazer filosofia é a figura altiva e solitária de Sócrates" (1990, p.28). Para este, a filosofia é uma prática, um modo de vida e, portanto, algo a que qualquer um de nós pode dedicar-se.
Se a filosofia é algo, no dizer de Sócrates, que todos podem dedicar-se, por que, historicamente, ela tornou-se algo tão distante e estranho para a maioria das pessoas? Por que ainda hoje privamos as crianças e os jovens da filosofia? Há um estilo próprio das crianças fazerem filosofia?

Poderíamos elencar muitos motivos pelos quais a filosofia foi tirada de cena. O próprio Lipmam aponta diversos deles, os quais são suficientes para entendermos a não-presença sistemática da filosofia no processo educacional. No dizer de Lipmam "a filosofia teve de abdicar de toda reivindicação de exercer um papel socialmente significativo. (...) A filosofia afigourou-se completamente supérfula no preparo dos futuros homens de negócios e cientistas. Com a ascendência da ideologia dos negócios, a filosofia foi tirada de cena no que dizia respeito à educação das crianças" (1990, p.27-28).

Acreditamos que seja oportuno lutar em prol de um projeto para que as crianças possam ter acesso a filosofia. Quando visitamos uma sala de aula em que as crianças estão se inserindo num processo de discussão filosófica, percebemos a alegria e o entusiasmo com que elas acolhem a possibilidade de lidar com a filosofia. É óbvio que a filosofia com crianças não pode ser pensada de forma acadêmica, hermética e hierática. Há um estilo próprio de se fazer filosofia com as crianças. Como diz Lipmam:

"Se as crianças podem fazer filosofia, elas devem fazê-la com estilo. Se esse estilo pode ser identificado, ele pode portanto ocupar seu lugar nessa república estilística onde todos os estilos filosóficos acham-se em pé de igualdade, e pode servir, com efeito, para contestar a opinião daqueles para quem infância e filosofia são necessariamente incompatíveis" (1990, p.40).

Pensamos que a posição de Lipmam é consideravelmente importante para entendermos o fenômeno que contagia milhares de crianças e educadores nos cinco continentes. O crescimento do número de escolas que tem abraçado esse projeto para inovar seu processo pedagógico diante dos desafios do nosso tempo, pode significar a tomada de consciência de que é possível viabilizar uma atividade filosófica com as crianças, se esta for pensada em outro estilo. Referências bibliográficas:
GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
LIPMAN, Matthew. A filosofia vai à escola. São Paulo: Summus, 1990.

8 comentários:

  1. É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir cuidadosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.

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  2. Sem dúvida as crianças são os maiores filosofos que poderiam existir. Elas se sente intigadas a perguntar em qualquer momento, tudo é motivo para um questionamento.

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  3. inegavelmente estas crianças exercem por natureza um papel de filosofas,e a exemplo delas devem todos que ter um objetivo ao se questionar tal coisa, como afirma outros textos, todos podem exercer o papel de filosofo mas deve ter fundamentos e para tais crianças é necessário uma vericidade na obtenção destas respostas, não devemos colocar etiquetas nelas de incapazes para compreender tal conhecimento.

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  4. a partir do momento em que as criancas comecam a fazer perguntas sobre o mundo ao seu redor,elas passam a ser filosofas do mundo que ainda nao conhece,mas que tem curiosidade em conhecer,levando a tona tudo o que levou os pensadores a serem filosofos ,que foi a curiosidade.

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  5. O sistema nos proporcionq esse desprazer,fazendo com que desde o início de nossa aprendizagem a gente valorize o superfluo e desvalorize as ferramentas que poderiam nos abrir os olhos para que o nosso senso crítico tivesse voz ativa.

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  6. As crianças que proporcionam curiosidades nas pessoas para serem pedagogas de escolas, trazendo seus pensamentos filosóficos, nos fazendo ficar de bem na educação/trabalho.

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  7. As crianças questionam a todo momento, estão sempre perguntando o motivo, o porque de tudo, sem duvida nenhuma são as crianças os grandes filósofos.

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  8. Realmente, filósofos assemelham-se as crianças. Estão sempre buscando respostas que satisfaçam suas dúvidas/curiosidades.

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