terça-feira, 24 de novembro de 2015

A INFLUÊNCIA DE MARX NA EDUCAÇÃO

A DIALÉTICA DE HEGEL A MARX


 Por que, afinal, Marx é tão importante e controverso?

Será que suas ideias continuam atuais?

Marx escreveu a célebre frase: "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de várias formas; cabe transformá-lo". 

Por mais de 50 anos, o mundo esteve dividido em dois antagônicos blocos políticos e econômicos, um capitalista e outro socialista.

Nas mãos de políticos e estudiosos marxistas, o pensamento de Marx converteu-se em doutrina que, ainda hoje, orienta partidos políticos no Brasil, como o PCdoB e o PSOL, e movimentos sindicais e populares, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra).

Mas, em sua maior parte, a doutrina marxista é de "segunda mão", ou seja, originária de interpretações dadas por dirigentes soviéticos como Lênin, Trotsky e Stálin, ou o chinês Mao Tsé-Tung. Poucos, na verdade, se aventuraram a desbravar a obra de Marx, que trouxe contribuições originais para a filosofia, a sociologia, a economia política e a história.



A teoria da dialética de Marx.

Método dialético
 Para os filósofos gregos, dialética era a arte do diálogo. 
Para Hegel, dialética é uma forma de pensar a realidade em constante mudança por meio de termos contrários que dão origem a um terceiro, que os concilia.

A dialética compõe-se, assim, de três termos:

·         tese;
·         antítese e
·         síntese.


Tese (A) é uma afirmação; 
antítese (B), é uma afirmação contrária, e 
síntese(C), como o nome indica, é o resultado da síntese entre as duas primeiras.


A síntese supera a tese e a antítese (portanto, é algo de natureza diferente), ao mesmo tempo em que conserva elementos das duas e conduz a discussão, nesse processo, a um grau mais elevado. E, na sequência, dá origem a uma nova tese, que inicia novamente o ciclo.

Por exemplo, eu tenho uma ideia a respeito de algo, é minha tese (A):

-"Países com climas quentes são melhores para se viver".

Meu interlocutor não concorda e contra-argumenta:

-"Não, são países com climas frios que são melhores para se viver".

Esta é a antítese (B).

Depois de alguma discussão, chegamos a uma conclusão - a síntese (C):

-"Países com climas amenos são mais agradáveis para se morar."

Pode parecer bobagem, mas é justamente assim que, em nosso cotidiano, usamos a dialética mesmo sem o saber, toda vez que conciliamos ideias opostas - em casa, no trabalho, na comunidade, etc. - em assuntos diversos. E é por isso que nos jornais que lemos costumamos encontrar ao menos dois pontos de vistas divergentes sobre um determinado tema, para que possamos fazer uma síntese do que de melhor cada um deles nos apresenta.

A originalidade de Hegel foi fazer desta lógica dialética uma lógica do ser, isto é, que rege o próprio modo de ser das coisas que, para ele, é um perpétuo vir-a-ser, um realizar-se contínuo.

Assim, também, a própria história, em que o Estado moderno seria a síntese de interesses em conflito entre família e sociedade civil, segundo Hegel.

Ditadura do proletariado 


Marx achava que a dialética de Hegel estava de "cabeça para baixo" e era preciso corrigi-la. Isso porque Hegel, grosso modo, era idealista, isto é, via a Razão como determinante da realidade objetiva, enquanto Marx era materialista e pensava justamente o contrário: que era o mundo material que condicionava a ideia que fazíamos dele. Por isso, ele desenvolveu uma interpretação que ficou conhecida como materialismo dialético.

O que Marx trouxe de original foi uma análise dialética das relações sociais e econômicas (as bases materiais e concretas da sociedade) que formavam uma estrutura que explicava fatos históricos e culturais.

Diferente de Hegel, ele escrevia em meio à Revolução Industrial, em que uma massa de trabalhadores vivia em condições deploráveis nas grandes cidades, o que estimulava o crescimento de movimentos socialistas e anarquistas em toda a Europa.

sociedade capitalista, segundo Marx, funcionava com base no antagonismo entre duas classes: a burguesia, que detinha os modos de produção (fábricas, empresas, terras, comércio, etc.), e o proletariado, trabalhadores que vendiam sua força de trabalho.

Na dialética marxista, a burguesia seria a tese - e o proletariado, sua antítese. A síntese seria a superação da sociedade de classes por uma sem classes, o comunismo.

As crises do capitalismo, então, decorreriam dos conflitos entre burguesia e proletariado, e seriam o prenúncio de uma superação dialética da economia política.

Ao assumirem seu papel histórico e dialético, os trabalhadores instituiriam, no lugar do sistema capitalista, a ditadura do proletariado, que seria um Estado provisório a ser superado pelo comunismo. Na prática, no entanto, a ditadura do proletariado não passou de... ditadura.


Marx, hoje 

Apesar da sociedade comunista não ter advindo, em parte porque os trabalhadores constituíram uma nova classe, a classe média, e vivem mais preocupados em conseguir um bom emprego, casa, carro e luxos da vida moderna, as teorias de Marx preservam muito de sua força.

Toda vez que achamos que alguma coisa está errada em uma sociedade em que uma minoria tem muito dinheiro e a maior parte da população vive em dificuldade, e que os sonhos de consumo nos tornam apenas mais vazios, estamos pensando na companhia de Marx.

O que ler 

A obra mais importante de Karl Marx é O Capital (Editora Civilização Brasileira, em 3 tomos). Porém, por se tratar de um livro difícil para pessoas não-treinadas em economia, seria melhor começar pelo Manifesto Comunista, escrito em parceria com Engels. A coleção Os Pensadores traz uma coletânea de textos do autor. Sobre dialética, leiam O que é dialética (Brasiliense), de Leandro Konder.

Extraído do artigo:

Marx - Teoria da Dialética: Contribuição original à filosofia de Hegel, do jornalista: José Renato Salatiel

Para ler o artigo completo, acesse: 
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/marx---teoria-da-dialetica-contribuicao-original-a-filosofia-de-hegel.htm


A INFLUÊNCIA DE MARX NA EDUCAÇÃO
Roberto Giancaterino*
“O trabalho de um homem perpetua quando atravessa os tempos”.

RESUMO Educar é um desafio social. Assim sendo, esta prática pode tornar-se um instrumento mobilizador para com a situação atual em que vive a população ou ainda ser um meio de alienação. Convém ressaltar, que são inúmeros os interesses políticos, sociais e econômicos que coordenam toda a ação pedagógica e fazem da educação sinônimo de acomodação. Criticar ou contradizer qualquer que seja o trabalho político desenvolvido é motivo de repressão, de anarquia e/ou vandalismo. Ao povo é preciso aceitar a situação de pobreza, dominação e exploração, opor-se é ser revolucionário. Portanto, é preciso que o homem cidadão busque no seu passado um princípio filosófico de vida para que assim seja capaz de refletir a atualidade. 


Palavras-chave: Educação, Filosofia, Filosofia de Marx, Sociedade, Professor. 
Leia o artigo completo:

KARL MARX E A EDUCAÇÃO

Em uma de suas Teses sobre Feuerbach, Marx (1845) mais precisamente na terceira tese, que algumas vertentes da doutrina materialista erroneamente entendem que os homens são produtos das circunstâncias e da educação. Dessa forma, segundo essa concepção, é necessário transformar as circunstâncias para só depois transformar os homens. Marx discorda totalmente dessa idéia, afirmando justamente o contrário, para ele são os homens que transformam as circunstâncias e, por isso, é necessário primeiro mudar os homens e sua consciência para só depois mudar as circunstâncias.
Na décima primeira tese a Feuerbach, Marx argumenta que "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; mas o que importa é transformá-lo". Desta forma ele critica uma postura contemplativa da filosofia, que apenas observava e nunca intervinha na realidade. Para Marx, é necessário que se estabeleça uma prática revolucionária, uma teoria viva, que passa a existir a partir da prática concreta, da luta, da revolução. Em suma, “o indivíduo exerce o principal papel na construção da nova sociedade e, consequentemente, numa dimensão dialética, de um novo homem” (Pensadores Sociais e História da Educação – 2008).
Por essa forma, podemos afirmar, com base nesses princípios, que Marx propõe uma prática educacional transformadora, onde a escola teria basicamente um duplo papel: 1°- Desmascarar todas as relações sociais (relações de dominação e exploração) estabelecidas pelo capitalismo no âmbito da sociedade, tornando cada indivíduo consciente da realidade social na qual ele está inserido; 2° - Militar pela abolição das desigualdades sociais, pelo fim da dominação e exploração de uma classe sobre outra; Por último, pela transformação da sociedade.
Podemos dizer que infelizmente, os princípios estabelecidos por Marx não tem sido utilizados, uma vez que o modelo de educação que temos no Brasil é altamente exclusivo, discriminatório, onde só os indivíduos da classe dominante têm reais chances de alcançar uma melhor posição social no interior de seu grupo.



A EDUCAÇÃO E O ENSINO EM MARX E ENGELS: O CASO DA ESCOLA POPULAR OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES 

Alexandre Marinho Pimenta


RESUMO

O presente artigo estuda aspectos fundamentais relacionados à análise da educação e ensino na sociedade capitalista, na visão de Marx e Engels, buscando compreender melhor o fenômeno da educação popular. Para isso, retoma algumas obras e textos clássicos do marxismo e realiza um estudo de caso da Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves (EPOMG), organização educativa e cultural, localizada em Minas Gerais. O artigo analisa a proposta política da EPOMG, a produção dos alunos, a partir da análise documental, representando fase de pesquisa de natureza exploratória. A escola objeto da análise funda-se em pressupostos marxista e a análise do caso é recortada com textos de Marx e Engels sobre a educação, ciência, ensino, trabalho, classe e, também, autores mais contemporâneos, precisando assim o caráter de reprodução social da escola oficial e a especificidade da escola popular. Ao final, o texto levanta algumas problematizações tendo em vista pesquisas futuras. 

Palavras-chave: Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves. Marx. Engels. Ensino. Educação.

Lendo o artigo completo:








terça-feira, 10 de novembro de 2015

A CONSTRUÇÃO FILOSÓFICA DO PERFIL DOCENTE


     
    Segue abaixo um extrato do artigo "A construção filosófica do perfil docente: reflexões necessárias à prática", dos autores: Fabiana Martinello Paez  e Antonio Serafim Pereira – UNESC. A sua leitura vai ajudar ao aluno/professor a definir-se pelo caminho que vai seguir.

Concepções da Filosofia da Educação e a construção do perfil docente
      
     Para melhor compreender a construção filosófica da identidade e do perfil docente, faz-se necessário trazer nesta reflexão as caracterizações das concepções filosóficas da educação, que hoje são discutidas nos meios acadêmicos e na formação continuada de docentes. As concepções, segundo classificação proposta por Saviani (1994), são: humanista tradicional, humanista moderna, analítica e concepção dialética.

a) Concepção humanista tradicional: Para esta concepção, também chamada de concepção essencialista, o sujeito constitui-se de uma essência imutável e à educação cabe aceitar e acolher essa essência. Não há lugar para inovações e as mudanças são consideradas acidentais. O ser humano é o que é, ou seja, nasce determinado. Há duas vertentes nesta concepção, a religiosa, cuja manifestação se consubstancia nas correntes do tomismo e do neotomismo e a vertente leiga, centrada na ideia de “natureza humana”. É desta vertente que surgiu os sistemas públicos de ensino laicos, obrigatórios e gratuitos. Destaca-se, neste sentido, o intelectualismo de Herbart, que desenvolveu o método de ensino que pode ser sintetizado em cinco passos: preparação; apresentação, assimilação; generalização e a aplicação. Método utilizado na maioria das escolas até os dias atuais. Na visão tradicional se privilegia o adulto, considerando-o como homem completo. Por isto, a educação se centra no educador e no conhecimento.

b) Concepção humanista moderna: Esboça-se numa visão de homem centrada na vida, na existência, na atividade. Esta concepção abrange correntes, como o existencialismo, pragmatismo, fenomenologia. A existência precede a essência. Conforme Dewey (1980), a educação é vida; vida é desenvolvimento e a finalidade do desenvolvimento é mais desenvolvimento. A natureza humana é mutável, determinada pela existência. O homem é considerado completo desde o nascimento e inacabado até morrer. Então, a educação foca-se no educando, na vida, na atividade. O elemento que define o ser é característica do próprio existir. O homem é ligado de forma concreta à realidade e a partir desta ligação com o mundo vai se construindo. O ser é de fato o que parece, a realidade está no fenômeno e não fora dele. A educação não segue um processo contínuo, segue um ritmo variado, determinado pelas diferenças individuais, em que, às vezes, predomina o psicológico sobre o lógico e os momentos educativos acontecem independentemente da vontade ou da preparação. O necessário é estar pré-disposto para esta possibilidade de acontecimento.

c) Concepção analítica: O significado de uma palavra só pode ser apontado em função do contexto que é utilizada, entendido como contexto linguístico e não sócioeconônico ou político. Parte do princípio de que o significado de uma palavra é dado pelo emprego, pelo uso ou funcionalidade que se faz dela. Ou seja, pressupõe que a tarefa da Filosofia da Educação é efetuar a análise lógica da linguagem educacional.

d) Concepção dialética: Concebe o sujeito com o resultado das relações sociais e de seu meio social. Admite a realidade como algo dinâmico, mutável, sujeito a transformações. A tarefa da Filosofia da Educação é explicitar os problemas educacionais, que precisam ser entendidos como integrantes de um contexto histórico que estão inseridos. Assim como a concepção humanista moderna, a concepção dialética admite que a realidade é dinâmica e este dinamismo se explica pela interação recíproca de todas as partes que o formam, bem como das contradições que lhe são inerentes, portanto, sua própria negação. Neste sentido, a educação tem o papel de contribuir para uma nova formação, a partir da velha e dominante, pois a essência humana nesta concepção é produzida historicamente. Ela existe assim que o ser humano nasce, mas é dinâmica, produzida e modificada historicamente.
    
    As concepções destacadas acima se articulam com as correntes ou tendências filosóficas: positivismo relaciona-se com a concepção tradicional; o existencialismo com a concepção humanista moderna; o marxismo com a concepção dialética e a fenomenologia com a concepção analítica.
     
   Consideramos oportuno articular estas correntes e tendências filosóficas com as propostas e práticas educacionais, visando contribuir para uma maior compreensão acerca da construção do perfil docente a parti do olhar desta articulação.
     
   O positivismo é compreendido como um paradigma filosófico naturalista e materialista, que compreende três idéias centrais todo o conhecimento do mundo material decorre dos dados ‘positivos’ da experiência e é somente a eles que o investigador deve aterse; existe um âmbito puramente formal, no qual se relacionam as ideias, que é o da lógica pura e o da matemática; todo conhecimento dito “transcendente” metafísico, por exemplo, se situa além de qualquer possibilidade de verificação prática, portanto, deve ser descartado.
     
   O contexto educacional escolar amparado nesta ideologia serve aos interesses da classe dominante, pois propaga a reprodução do status quo. O sistema educacional brasileiro pelo paradigma positivista organiza o ensino por disciplinas isoladas, desconsiderando os saberes sobre o homem e sua existência. As aulas, com essa orientação, tornam-se repetitivas e reprodutivas, com conteúdos descontextualizados e fragmentados. O professor, na visão da escola tradicional, deve reproduzir o conhecimento que é pronto e acabado. Cabe ao aluno memorizar e reproduzir a informação. O professor fala, o aluno ouve. Não há tempo para discussões ou questionamentos, portanto, não há tempo também para construção de novos conhecimentos ou elaboração do pensamento crítico. Assim, a educação escolar concebida no positivismo, para Ronca; Terzi (1996, p. 24):

... ao invés de incentivar a organização de pensamento, incita à             dispersão, à superficialidade. Troca a possibilidade de uma reflexão crítica mais coletiva pela   certeza da simplista transferência de conhecimentos, mais unilateral e individualista. Egocêntrica, talvez: é o professor que transfere o conteúdo que ele sabe. O aluno o recebe pronto. Basta memorizá-lo. Mais tarde, na prova, será cobrado.”
     
    Entretanto, segundo Demo (1987), com o positivismo ganhou-se mais rigor científico, agarrando-se nas condições lógicas das pesquisas. Por outro lado, vem se atribuindo um crescimento maior pela análise filosófica, pois ela vem contribuindo com a reflexão epistemológica para a invenção de novos métodos que dêem conta de alguns problemas da ciência. Além disso, a ciência necessita da reflexão filosófica para desvendar os interesses que comandam seus processos e utilização de seus resultados.
     
      Concebe-se a fenomenologia como o estudo dos fenômenos em si mesmos, independentemente dos condicionamentos exteriores a eles, cuja finalidade é apreender sua essência que é a estrutura de sua significação. A fenomenologia é o estudo das essências, e todos os problemas: a essência da percepção, a essência da consciência, por exemplo. Mas também a fenomenologia é uma filosofia que substitui as essências na existência. Toda a verdade é construída sobre o mundo vivido, e para fazer ciência com sentido e com rigor, deve-se considerar a experiência do mundo, da qual ela é expressão. Propõe uma reflexão exaustiva, sempre e contínua, sobre a importância, validade e finalidade dos processos adotados.Não deve haver sistemas concluídos, pois o papel de estar no mundo é sempre interrogá-lo. Na fenomenologia as percepções dos sujeitos são importantes e, sobretudo, salienta o significado que os fenômenos têm para as pessoas.
            
     Os críticos da fenomenologia afirmam que ela considera a história da realidade, sendo conservadora, tal qual o positivismo, e que estuda a realidade com o intuito de descrevê-la, de apresentá-la como ela é, de fato, em sua experiência pura, sem intenção de nela realizar transformações substanciais.

     Para a educação escolar, a fenomenologia dá ênfase ao ator, na experiência pura do sujeito, em forma subjetiva. Por conseguinte, não faz uma leitura crítica sobre a força opressora e alienante da ideologia, que a classe abastada exerce sobre a classe menos privilegiada. Segundo Trivinos (1987), elimina-se, por essa corrente filosófica, todas as possibilidades que as informações possam se revelar além da máscara que a ideologia dominante pode oferecer.
     
     Para Luckesi e Passos (2004, p. 227) a tendência filosófica marxista “constitui-se em uma teoria materialista da sociedade, para a qual o mundo material exerce uma predominância sobre o mundo ideológico e no qual o movimento é sua própria essência.” Hegel, filósofo alemão do século XIX explica o materialismo dialético afirmando que o processo dialético impulsiona o desenvolvimento da ideia absoluta pela sucessão de momentos de afirmação (tese) de negação (antítese) e de negação da negação (síntese). O materialismo histórico é a aplicação da teoria de Marx ao estudo da evolução histórica das sociedades humanas, pelas quais, o modo de produção dos bens materiais condiciona vida a social, política e intelectual que, por sua vez, interage com a base material. Autores como Marx, Engels, discutem que a história de todas as sociedades do passado é a história da luta de classes. Nesse sentido, no decorrer do processo histórico, as relações econômicas evoluíram segundo uma contínua luta dialética entre os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores espoliados e explorados.
     
     O materialismo histórico é a ciência filosófica do marxismo que estuda as leis sociológicas que caracterizam a vida da sociedade, de sua evolução histórica e da prática social dos homens, no desenvolvimento da humanidade. Para Triviños (1987, p.51) “o materialismo histórico significou uma mudança fundamental na interpretação dos fenômenos sociais que, até o nascimento do marxismo, se apoiarem concepções idealistas da sociedade humana”.
     
     Desse modo, o docente que se apoia nos fundamentos da matriz filosófica do materialismo histórico dialético, deve ter presente em sua estrutura de pensamento uma visão de mundo dialética da realidade natural e social. Deve estar convencido de que existe uma realidade objetiva fora da consciência e que esta consciência é um produto resultante da evolução do material, o que significa que para o marxismo, a matéria é o princípio primeiro e 7 a consciência é o aspecto secundário. Este processo se manifesta com uma explicação do processo histórico a partir das relações de produção material na sociedade.
     
     Esta corrente filosófica revela a historicidade do fenômeno e suas relações em nível mais amplo e complexo de um contexto e, ao mesmo tempo, estabelece e aponta as contradições possíveis dentre os fenômenos investigados. Neste século, segundo Luckesi e Passos (2004, p. 227), “a concepção marxista tem sido largamente estudada como recurso para desvendar as tramas sociais”, no campo da política e da educação. Destaca-se que foi nesta tendência filosófica que algumas tendências pedagógicas se inspiraram para construir suas matrizes teóricas muito discutidos nos meios acadêmicos e presentes nas diretrizes curriculares, pensamentos e práticas escolares atuais, como por exemplo, o princípio de interdisciplinaridade e contextualização.
     
     Segundo Saviani (1994), a partir da concepção dialética é possível compreender o aparecimento e a superação das diversas concepções filosóficas e pedagógicas, que se constituem no tempo e espaço, na medida em que se configuram as relações de produção e poder da sociedade em questão.
     
     Por esta concepção, a formação docente precisa ser encaminhada no sentido de contribuir para que o professor perceba e compreenda, crítica e globalmente, a sua prática no confronto com o contexto micro e macropolítico da escola. Uma formação docente que reconhece o conhecimento que os professores possuem com ênfase na crítica reflexiva dos mesmos, possibilitando-lhes colocar o poder do cotidiano escolar em discussão e a ultrapassar as limitações do existir.

     
     Isso será possível se o docente tiver oportunidade de ressituar suas pautas habituais, alterando significados convencionais por novas linguagens, diálogos e novas identidades. Se a formação se constituir como espaço no qual os professores possam problematizar os discursos que servem para organizar e legitimar os modos específicos de nomear, organizar e vivenciar a realidade escolar e social (textos didáticos, disciplinas, currículos, divisão de tempo, espaço, etc.); entender como se produzem as significações no âmbito dos espaços educativos em que se movimentam, que em geral têm deles somente uma visão parcial e pouco consciente (PEREIRA, 2009) .

Quem desejar ler o artigo completo, pode fazer o download em:


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

EXISTENCIALISMO III - AS "TESES"


Abaixo seguem as teses do existencialismo, consideradas fundamentais, segundo:                            Abdeljalil Akkari, 
Peri Mesquida 
e Regina Berbetz Valença.

Das “teses” do pensamento existencialista, consideradas fundamentais, decorrem não poucas implicações para a reflexão e a prática pedagógicas que têm exercido importante influência na educação brasileira.

• O aluno é o centro da ação pedagógica. Enquanto na prática pedagógica, fundada no tomismo-aristotélico, o centro da ação é o professor, naquela alicerçada sobre o existencialismo, o centro passa a ser o estudante.

• Respeito pela individualidade do estudante. Cada estudante é um microcosmo, um ser único. Portanto, isso deve ser levado em consideração na atuação do professor.

• O conhecimento não pode ser transmitido, mas é decorrente de uma relação dialógica estabelecida entre seres que conservam sua individualidade.

• O aprender é visto como uma inserção apaixonada no objeto de estudo, como um mergulho na realidade com a finalidade de decodificá-la.

• Os conteúdos programáticos não podem ser “disciplinas”, pois são instrumentos de realização da pessoa – não é o estudante que se “sujeita” à matéria, mas a matéria que se sujeita a ele: acima do livro a pessoa.

• Não pode haver estudo dirigido. O estudante, no uso da liberdade, escolhe o que aprende e o que fazer, pois afinal, é ele quem decide sobre o seu próprio caminho.

• A manipulação é um crime. Para o educador existencialista o método pedagógico por excelência é a pedagogia do diálogo, mas levando-se em conta que a ação dialógica não elimina o conflito. Diálogo é questionamento.

• O diálogo fundado na honestidade, gera confiança. Esta é imprescindível para o crescimento intelectual.

• A história é a luta do homem para conquistar a sua liberdade.

• Não há imposição. Esta deve ser eliminada da prática pedagógica.

• O estudante não é um espectador do drama da aprendizagem, mas ator.

• A superficialidade do “se”. Quando falamos diz-“se”, falou-“se”, conta-“se”, etc., estamos nos esquivando da responsabilidade, buscando o refúgio da neutralidade.


Para ler o artigo e compreender melhor o que está exposto acima, acessar: 





EDUCAÇÃO E ESPERANÇA: UMA CONTRIBUIÇÃO DE GABRIEL MARCEL E MARTIN BUBER SOBRE O PAPEL DO EDUCADOR EM MEIO À VIOLÊNCIA 

Valber Oliveira de Brito
 valberbrito@yahoo.com.br 

Desejamos, apenas, que ponhais todo o empenho 
em guardar inata a vossa esperança até o fim (HEB 6, 11). 

Resumo: 
O presente trabalho traz os resultados da investigação teórica e empírica, em torno dos quais analisamos as relações intersubjetivas que envolvem o sentimento de esperança vivenciado por educadores e que são construídas no universo escolar, especialmente em meio à violência que se encontra nas escolas nos tempos atuais. Para isso recorremos, em especial, à noção de diálogo presente, sobretudo, em Martin Buber e à noção de esperança, como compreendida por Gabriel Marcel. Tangenciando essa discussão, analisamos empiricamente a relação que existe entre o papel do educador e a tensão existente entre pessoa e instituição, tendo como foco os teóricos Emmanuel Mounier e Paul Ricoeur. As análises dos relatos dos educadores mostram que há esperança em meio ao caos e à violência. 
Palavras-chave: 
Educação. Gabriel Marcel. Martin Buber. Diálogo. Esperança. 

Continuar lendo:





sábado, 7 de novembro de 2015

CONCEPÇÕES FUNDAMENTAIS DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO


Concepções fundamentais de Filosofia da Educação segundo Dermeval Saviani


1. Concepção Humanista Tradicional.
A concepção humanista tradicional está marcada pela visão essencialista de homem. O homem é entendido como constituído por uma essência imutável, cabendo à educação conformar-se à essência humana. A concepção humanista tradicional se distingue em duas vertentes. Temos a vertente religiosa, que tem suas raízes na Idade Média e cuja manifestação mais característica tem como base as correntes do tomismo e do neotomismo. A outra é a vertente leiga, que é centrada na ideia de “natureza humana”. Essa vertente que inspirou a construção dos “sistemas públicos de ensino” com as características de laicidade, obrigatoriedade e gratuidade.

2. Concepção Humanista Moderna

A concepção humanista moderna abrange corretes como o Pragmatismo, Vitalismo, Historicismo, Existencialismo e Fenomenologia. Se difere da concepção tradicional, com uma visão de homem centrada na existência, na vida e na atividade. Na visão tradicional dá-se um privilégio do adulto, considerado o homem acabado, completo, em oposição à criança, ser imaturo, incompleto. Na visão moderna, sendo o homem considerado completo desde o nascimento e inacabado até morrer. Admite-se a existência de formas descontínuas da educação, em dois sentidos. No primeiro sentido considera-se que a educação segue o ritmo vital que évariado, determinado pelas diferenças existenciais ao nível dos indivíduos. No segundo sentido, na medida em que os momentos verdadeiramente educativos são considerados raros, passageiros, instantâneos. São momentos de plenitude, porem fugazes e gratuitos.


3. Concepção Analítica

Essa concepção de Filosofia da Educação não pressupõe explicitamente uma visão de homem nem um “sistema filosófico” geral. Ela diz que a tarefa da Filosofia da Educação é efetuar a análise da lógica da linguagem educacional. O método que mais se presta à tarefa proposta é o da chamada análise informal ou lógica informal. Não se pode esquecer que se trata do contexto linguístico e não do contexto sócio-econômico-político.


4. Concepção Dialética

A concepção dialética também se recusa a colocar no ponto de partida determinada visão de homem. Ela se interessa pelo homem concreto, que seria o homem como “síntese de múltiplas determinações”. Entende-se que os problemas educacionais não podem ser compreendidos senão por referência ao contexto histórico em que estão inseridos. A concepção dialética defende que o movimento segue leis objetivas que não só podem, mas devem ser conhecidas pelo homem. Encarando a realidade como essencialmente dinâmica, não se vê necessidade de negar o movimento para admitir o caráter essencial da realidade, nem de negar a essência para admitir o caráter dinâmico do real.


AS CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Notas iniciais do capítulo II

 DEMERVAL SAVIANI




quarta-feira, 4 de novembro de 2015

EXISTENCIALISMO NA EDUCAÇÃO II





PROLEGÔMENOS PARA UMA PRÁTICA EDUCATIVA EXISTENCIALISTA
Prolégomènes à une pratique éducative exitentialiste
Abdeljalil Akkari * Peri Mesquida ** Regina Berbetz Valença***



 Resumo

Pistas para uma introdução sobre a reflexão de como seria uma prática educativa fundada nos princípios filosóficos do existencialismo, a partir de Nietzsche, Heidegger, Merleau-Ponty, Gabriel Marcel e Jean-Paul Sartre, procurando construir o que chamamos de “teses” existencialistas. A partir daí, trabalhamos a relação dessas teses com a prática pedagógica, concluindo com uma abordagem sobre a influência do existencialismo sobre o pensamento e a proposta pedagógica de Paulo Freire.

Palavras-chave:
 Existencialismo, Educação, Prática educativa.



Nietzsche: Individualismo e "vontade de poder"
Antonio Carlos Olivieri,  Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Friedrich Nietzsche era formado em filologia clássica e não em filosofia. Tornou-se filósofo, segundo ele mesmo diz, devido à leitura de Schopenhauer. Concorda com a visão de mundo deste filósofo em três questões essenciais: a) a inexistência de Deus; b) a inexistência de alma; c) a falta de sentido da vida, que se constitui de sofrimento e luta, impelida por uma força irracional, que podemos chamar de vontade.
No entanto, ao contrário de Schopenhauer, Nietszche não vê a realidade repartida em duas, o fenômeno e a coisa em si. Considera que este mundo é a única parte da realidade e que não devemos rejeitá-lo ou nos afastarmos dele, mas viver nele com plenitude. Como, porém, fazer isso num mundo sem Deus e sem sentido?
Nietszche começa a resolver o problema fazendo um ataque à moral e aos valores existentes na sociedade que lhe é contemporânea. Segundo o filósofo, esses valores derivam de civilizações já inexistentes, como a grega e a judaica, e de religiões em que muitos - senão a maioria - já não têm fé. Precisamos, portanto, de uma nova base para assentar nossos valores.
Justiça dos fracos
A civilização, de acordo com o Nietzsche, foi criada pelos fortes, pelos inteligentes, pelos homens competentes, os líderes que se destacaram da massa. Moralistas como Sócrates e Jesus, porém, negaram essa realidade em nome dos fracos.
Propagando uma moral que protegia os fracos dos fortes, os mansos dos ousados, que valorizava a justiça em vez da força, eles inverteram os processos pelos quais o homem se elevou acima dos animais e exaltaram como virtudes características típicas de escravos: abnegação, auto-sacrifício, colocar a vida a serviço dos outros.
"Super-homem"
Considerando que tais valores não têm origem divina ou transcendente, Nietzsche afirma que somos livres para negá-los e escolher nossos próprios valores. Ao "tu deves" devemos responder com o "eu quero". É a vontade de poder que permite ao indivíduo que se autoelege desenvolver seu potencial máximo de modo a tornar-se um super-homem ou um ser além-do-homem - isto é, que se coloca acima da massa.
Nietzsche identifica o "super-homem" em personagens como NapoleãoLutero, Goethe e até mesmo Sócrates (não por suas ideias, mas pela coragem de levá-las às últimas consequências). Enfim, no líder que tem vontade de poder, que ousa tornar-se o que realmente é. É assim que se afirma a vida e se pode atingir a auto-realização.
Naturalmente, o filósofo sabe que isso não vai abolir os conflitos e nem se preocupa com isso, pois considera os conflitos como um estímulo. De resto, querer abolir a competição, a derrota e o sofrimento é o mesmo que pretender abolir a lei da gravidade.
Desafio e resposta
O pensamento nietzschiano pode ser avaliado sob duas perspectivas. Por um lado, ele postula um supremo desafio ético ao propor uma reavaliação radical dos valores morais da humanidade. Nesse sentido, ele apresentou o problema sobre o qual iriam se debruçar muitos filósofos do século 20, a partir dos existencialistas.
Por outro, a resposta que ele propõe a esse desafio - marcada pelo individualismo e pela "lei do mais forte" (que pode ser também o mais inteligente ou o mais talentoso) - desaguou no nazi-fascismo, que se apropriou de suas ideias e o usou em sua propaganda. No encontro histórico de Mussolini e Hitler, em 1938, o líder alemão presenteou o italiano com uma coleção das obras de Nietzsche.
Convém lembrar, porém, que o filósofo já em sua época ridicularizava o nacionalismo alemão. Quanto ao seu propalado anti-semitismo, pode ser desmentido por um de seus próprios aforismos: "Os anti-semitas não perdoam os judeus por terem intelecto e dinheiro. Anti-semita: outro nome para 'roto e esfarrapado'".
Não se pode falar de Nietzsche sem comentar o aspecto literário de sua obra. A maioria de seus livros não é escrita no tipo de prosa dissertativa característica da filosofia, com argumentos e contra-argumentos expostos na íntegra. Ao contrário, estão sob a forma fragmentária de aforismos e parágrafos numerados separadamente, ou ainda como epigramas ou na linguagem dos textos religiosos, como se vê em uma de suas obras mais conhecidas: "Assim falou Zaratustra".



O EXISTENCIALISMO
O termo existencialismo reúne diversas correntes filosóficas que têm como ponto de partida a situação existencial do homem. Falamos também da filosofia existencial do século XX. Muitos dos pensadores que se podem chamar existencialistas basearam as suas ideias não apenas em Kierkegaard mas também em Hegel e Marx.
Um outro filósofo que teve muita influência no século XX foi o alemão Friedrich Nietzsche que viveu entre 1844 e 1900. Nietzsche também reagiu à filosofia de Hegel e ao «historicismo» alemão proveniente dela. A um interesse anémico pela história contrapôs a própria vida. Exigia uma «transformação de todos os valores». Recusava sobretudo a moral cristã - a que chamou «moral dos escravos» - para que a força vital dos fortes não fosse reprimida pelos fracos. Segundo Nietzsche, tanto o cristianismo como a tradição filosófica se tinham afastado do mundo verdadeiro e dirigido para o «céu» ou o «mundo das ideias». Eram considerados o «verdadeiro mundo» mas eram na realidade um mundo falso. «Sede fiéis à terra», disse. «Não deis ouvidos àqueles que vos oferecem esperanças sobrenaturais.»



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