segunda-feira, 4 de junho de 2012

GRÁFICO SOBRE O CONHECIMENTO


Veja o Gráfico acima, ele reúne parte das teorias que temos discutido, a exceção da palavra EXPRESSÃO, ela não se encontra em nenhum dos filósofos estudados, embora tenha um significado pontual, ou seja, a maneira como externamos o que aprendemos sobre algo, é o momento em que nossos pensamentos, sentimentos, emoções, atenção e motivação se apresentam. O grau de conhecimento se revela aí. Nunca será completo, porque essa expressão não será a mesma no momento seguinte, nunca será. É o mesmo que a ideia de processo, ele nunca se repete, como disse Heráclito: ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.

SOBRE O CONHECIMENTO
Apresentamos abaixo um ligeiro contorno de alguns pensadores sobre o conhecimento. Ter uma visão ampla, com o objetivo de chegarmos a uma visão particular que possa ter um sentido prático na realidade docente contemporânea, dentro da licenciatura escolhida. Que os fragmentos abaixo sirvam de motivação até tornar mais clara a forma como cada um deve lidar com os conteúdos e as ações da sua área de estudo.

SOCRATES

Para Sócrates, a filosofia vem de dentro para fora e sua função é despertar o conhecimento, ou seja, o Auto-conhecimento, pois a verdade está dentro de cada um. Para conhecer a si mesmo é preciso conhecer o outro. A alma do outro é como se fosse o espelho da própria alma.

O “conhecer-te a ti mesmo”, que era, na inscrição de Delfos (onde Sócrates foi proclamado o mais sábio), uma advertência ao homem para que reconhecesse os limites da natureza humana, tem dois significados : Ter a consciência da condição humana, não tentar ser mais do que é para os homens serem, não tentar ser Deus, não ser arrogante, devendo os limites do homem serem respeitados para que se viva bem, ou seja, a consciência da seriedade e gravidade dos problemas, que impede toda presunção de fácil saber e se afirma como consciência inicial da própria ignorância; E, o conhecimento interior, para o grego, é conhecer o que permanece oculto, isto é, as coisas divinas eternas, o que as pessoas nem sabem que podem ser. Ou seja, é necessário conhecer o mundo para conhecer a si mesmo.

O conhecimento da própria ignorância não é a conclusão final do filosofar, mas o seu momento inicial e preparatório.

O caminho para o conhecimento interior é individual a cada um.

ESTÓICOS

O conhecimento, para os estóicos, basea-se na certeza do conhecimento, ou seja, qualquer conhecimento seria decorrente de impressões recebidas pelos sentidos. Os estóicos diferenciam o significado do conhecimento, ou seja, o significado seria tudo aquilo que se pode pensar e dizer sobre as coisas.

Epicuro diz que o homem é essencialmente, um ser-que-sente, e a sua lógica é a codificação de uma teoria sensista do conhecimento, segundo o qual o conhecimento humano começa e termina na sensação (aísthesis) que pode desdobrar-se em "antecipação" (prolípses) ou representações mentais e em sentimentos (pathé) de pena e prazer.

PLATÃO

Segundo Platão, conhecer é recordar verdades que já existem em nós - teoria que pode ser atestada sempre que nos deixamos guiar pela voz do inconsciente.

"Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você o sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você."

Essa máxima, extraída do livro Ilusões, de Richard Bach, sintetiza o inatismo de Platão, doutrina filosófica segundo a qual aprendemos devido a um processo natural de descobertas, capaz de desentranhar conhecimentos racionais e idéias verdadeiras que se encontram, a priori, latentes, guardados em nosso mundo interior.

PARA VIGOTSKY

“O conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações humanas”.

“Na ausência do outro, o homem não se constrói.  O conhecimento é sempre intermediado”.

“Nenhum conhecimento é construído pela pessoa sozinha, mas sim em parceria com as outras, que são os mediadores”.

PARA PIAGET

A construção do conhecimento SEGUNDO PIAGET

A Organização e a Adaptação

Jean Piaget, para explicar o desenvolvimento intelectual, partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio. Assim, Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico (WADSWORTH, 1996). Para Piaget, a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento "total" do organismo (1952, p.7) :

Do ponto de vista biológico, organização é inseparável da adaptação: Eles são dois processos complementares de um único mecanismo, sendo que o primeiro é o aspecto interno do ciclo do qual a adaptação constitui o aspecto externo.

Ainda segundo Piaget (PULASKI, 1986), a adaptação é a essência do funcionamento intelectual, assim como a essência do funcionamento biológico. É uma das tendências básicas inerentes a todas as espécies. A outra tendência é a organização. Que constitui a habilidade de integrar as estruturas físicas e psicológicas em sistemas coerentes. Ainda segundo o autor, a adaptação acontece através da organização, e assim, o organismo discrimina entre a miríade de estímulos e sensações com os quais é bombardeado e as organiza em alguma forma de estrutura. Esse processo de adaptação é então realizado sob duas operações, a assimilação e a acomodação.

Os Esquemas

PAULO FREIRE

De acordo com Freire o “conhecimento emerge apenas através da invenção e reinvenção, através de um questionamento inquieto, impaciente, continuado e esperançoso de homens no mundo, com o mundo e entre si”. O conhecimento é um processo que transforma tanto aquilo que se conhece como também o conhecedor. Isto é, o conhecimento surge apenas da relação dialógica e recíproca entre um trinômio formado pelo conhecimento ele mesmo, o professor e o aluno.

JOHN DEWEY

... “Dewey é conhecido como pragmático, definindo conhecimento como aquilo que permite ao indivíduo executar determinadas tarefas, ou seja, o que funciona”.

Ele resume a relação entre esses princípios da seguinte forma: os conceitos de situação e interação são inseparáveis um do outro. Uma experiência sempre é o que é porque a transação acontece sempre entre um indivíduo e o que naquele momento é o meio ( outra pessoa, um livro etc…). Isto mostrou, para Dewey, que o ponto de partida para o desenvolvimento de uma filosofia educacional é a natureza da experiência de aprendizagem. Mais ainda, ele considera a atividade cognitiva como recíproca e simbiótica, onde ambos se constituem mutuamente e se moldam um ao outro, o aprendiz e o que se aprende.

Para Dewey o conhecimento é função de inferências dedutivas e indutivas de dados e hipóteses visando a solução de problemas específicos que surgem na dinâmica entre a experiência humana e seus objetivos. A ênfase do pensar como solução de problemas é talvez tanto uma característica da filosofia educacional de Dewey como é do pensamento moderno em geral.


7 comentários:

  1. percebemos que todas estas leituras folosóficas são importantes e contribui bastante para a definição do conhecimento, porém assumindo aqui uma visão e definição individual, estou de acordo com a visão de vigotsky, o conhecimento não se contrói sozinho, ele precisa de uma intermediação para concretização do mesmo,uma vez que, para se tornar conhecimento deve haver a prática da informação, deve nos inquietar, e sem esta intermediação para praticarmos tão pouco esta informação se torna conhecimento, e também como freire afirma que o conhecimento se cria na relação dialógica e recíproca entre um ser e outro ser.

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  2. Me identifico muito com o conceito de Paulo Freire sobre o conhecimento, também acho que ele surge da invenção e reinvenção, essa mudança e constante análise de diferentes pontos de vista que podem gerar mais conhecimento, acho essa capacidade humana de duvidar e buscar respostas principal construtora de conhecimento, pois é essa busca constante que o gera.

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  3. Acho que o conceito de conhecimento para Paulo Freire é o que mais se encaixa nas nossas reflexões quando ele diz que o conhecimento "emerge de um questionamento inquieto". Somente através da interação do homem com outro homem e das inquietações e questionamentos que surgem a partir dessa interação é que se obtém o real conhecimento.

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  4. Achei interessante essa questão da expressão que se faz do que aprendemos, que nunca será da mesma forma, a cada instante será diferente, assim como o conhecimento, que é algo relativo, que é visto de forma diferente por cada pessoa, e dependendo do momento em que o mesmo é passado, significará algo novo e diferente para cada indivíduo.

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  5. Achei importante a concepção de VIGOTSKY quando une o conhecimento ao meio social. Nós estamos a todo tempo aprendendo uns com os outros.

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  6. Também achei muito interessante esses conceitos , principalmente os de Paulo Freire que mostra o conhecimento como um processo que transforma tanto aquilo que se conhece como também o conhecedor.

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  7. Concordo plenamente com Paulo Freire quando cita que conhecimento surge da relação dialógica e recíproca entre um trinômio formado pelo conhecimento professor/aluno. Não é tão notório a frequência dessa relação nos dias atuais, mas é um "método" que nos pacifica a adoção do conhecimento, seja ele qual for.

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